
Là sobram vagas e os poucos funcionários que restaram vivem taciturnos, receosos e sonham com a possibilidade de trabalhar em outro lugar. Destes, a bibliotecária - que passou em um concurso pùblico e aguarda a convocação - e a coordenadora do setor de recursos humanos são as mais tranqüilas e amáveis.
O prédio è imponente - funciona em um bairro histórico de Massayoca - e è sede de uma faculdade, com identidade tradicional e um pùblico alvo seleto. Diretores de grandes hospitais, proprietários de importantes empresas e profissionais renomados complementam seu nível superior là.
As instalações são confortáveis e as aulas ministradas por professores de outros Estados, às vezes por videoconferência. È a fachada que mantèm o lugar vivo, já que dentro dele os funcionários apenas sobrevivem, encurralados em suas próprias dìvidas e necessidades, que são responsáveis por mantê-los ali, submersos em palavras grosseiras e na falta de educação, o que chega a ser irônico e contraditório.
Os departamentos são independes, ninguém pode conversar ou pedir informações e existe uma câmara em uma sala obscura, que segue psicoticamente, observando a direção que toma e o que està por fazer, quem sai do seu setor atè o corredor sombrio do prédio.
Para aprisionar as pessoas que se prontificam a ficar, a carteira de trabalho è imediatamente assinada e ao contràrio de outras empresas, não aguardam os 3 meses de experiência. Embora o salário seja baixo e o clima pesado, hà quem use terno e gravata para se sentir menos inferior aos alunos e aos patrões.
Para quem não conhece o histórico da instituição, seria a grande chance de entrar no mercado de trabalho, atuando em um lugar renomado. Mas, passada a fase de apresentação, começa uma relação de submissão hierárquica, que envolve e amedronta, fazendo qualquer um se arrepender de estar là.
Tão grande quanto a fama da faculdade è a notoriedade da sua diretora acadêmica. Alta, loura e com olhos negros e vagos e um sotaque do sul, a elegante e fascinante mulher è bacharel em Letras, embora faça questão de se mostrar pouco letrada em seus hábitos.
Franciela Minoti è quarentona – parece mais jovem - e mora sozinha em um bairro nobre da cidade. Eloqüente e obtusa, já acumula inúmeros processos trabalhistas, inclusive por racismo. Ela costuma atirar perguntas como pedras, quando alguém contraria suas ordens e foi capaz de fazer uma pessoa se demitir em apenas 3 horas de convivência.
Seu modelo de gestão è anacrônico, baseado em regras e legislações, típico de empresas que tiveram como futuro a falência. A mulher desconhece os precentos da boa convivência e é uma perseguidora. Como as pessoas não podem conversar ente si, para pedir informações è preciso fazer ligações interbunas para o Rio de Janeiro.
Franciela gosta de demonstrar sua superioridade falando alto com seus subalternos e deixando a porta da sua sala aberta, quando està passando sermão. Seu novo passatempo è humilhar a chefe do setor pedagógico, que trabalhava hà cinco anos em uma empresa que foi comprada pela faculdade. Ela teve uma crise de pressão alta depois de um episòdio de assédio moral protagonizado pela diretora.
Embora seja publicitária, Ariele conhece como ninguém as demandas dos alunos, que sempre a procuram para resolver os problemas acadêmicos, o que nutre a inveja e desperta a fúria de Franciela, que já prometeu demiti-la se ela falar com algum deles, mesmo que seja exercendo as atribuições de seu cargo.
O objetivo da diretora è que Ariele peça demissão, perdendo todos os direitos trabalhistas, já que mandou bloquear o ramal do telefone e o e-mail da moça. Na frente de outras pessoas Franciela è um anjo de candura, prestativa e compreensiva. Sò que de repente, ela perde o controle e começar a gritar, pedindo aos ‘empregados’coisas que devem ser feitas em um minuto, ligando para os ramais para pressioná-los, sò que depois de dois minutos ela não lembra nem precisa mais do que pediu.
Supõem-se que seu descontrole seja devido a falta de um namorado ou conseqüência de sua criação burguesa, o que a faz passar por cima de tudo e todos para conseguir o que deseja. Uma de suas frases preferidas è: Quem tu pensas que è pra fazer isso? Será que alguém teria paciência para se submeter aos seus caprichos e perturbações todos os dias?
Atualmente, na faculdade existem vagas para webdesigner, gerente e assistente contábil, auxiliar pedagógica e analista de sistemas. Em breve, haverá também para bibliotecária, pedagoga e no setor comercial. Os que saem indicam amigos, parentes e inimigos que em seguida fazem o mesmo, por não agüentarem ficar muito tempo là. Quem se habilita?
