quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Marido fujão


- Ei Joaquinaaaaa, venha sentar aqui, que surpresa encontrar você. São seus filhos? Tão uns “rapaizinhos” e esse novinho, teve quando?Pensei que você não tivesse mais morando em Maceió.
- Pois Geraldina eu moro em São Luiz e vim aqui na casa dos parentes do pai deles.
- Vixe, você mora no Maranhão é?nem sabia.
- É em São Luiz do Quitunde, fim de mundo danado!
- E de onde você vem e aonde você vai?
- Eu cheguei agora da rodoviária, olha as minhas malas e ainda tenho esses três aqui pra atrasar a minha vida.
Com um loiro oxigenado em seus cabelos ondulados, Joaquina aparentava ter seus 25 anos e já era mãe de três meninos. Tinha um rosto cansado e a pele bronzeada, nunca trabalhou e vivia apenas para o marido e os filhos.
Geraldina, com seus 35 anos nunca teve filhos, apesar de ter sido casada. Ela era cozinheira em um restaurante e agora solteira, morava sozinha. Depois de cinco anos as amigas se reencontraram dentro de um ônibus e começaram a falar sobre suas desilusões amorosas.
- Mas você tá casada ainda Joaquina?Cadê teu marido?
- Vim procurar aquele safado. Até dois dias atrás eu tava, quer dizer ainda tô, mas pra falar a verdade não sei mais de nada.
- Que foi?Brigou com ele?
- O sem-vergonha saiu de casa sem dizer nada faz dois dias, nem sei se tá vivo ainda. Aí trouxe os meninos, vim procurar ele. Acho que o desgraçado tá na casa da outra.
- Que outra?Ele tem outra família?
- A outra que teve um filho dele, o infeliz ainda sai por aí fazendo menino. Ela mora perto da casa da minha sogra, acho que o neném nasceu e ele veio dar assistência, cabra safado!
- E o que você vai fazer?Esse teu menino tem um ano já?Parece com você.
- Vou chegar lá quebrando tudo, não vai restar nada pra contar a história. Se o desgraçado não quiser voltar comigo deixo esses dois com ele e só fico com esse que tem um ano e seis meses.
- Que situação, você sabe onde vai descer?
- Mulher, sei que é perto de uma associação, o cobrador vai dizer quando chegar.
- E tu Geraldina tá casada?Se for pra ficar com esses “tipinho de homi” é melhor ficar só!
- Me separei, já tem dois anos, também fui traída, mas agora tô em paz.
- E você não sente solidão?Deve ser ruim não ter com quem dividir a vida.
- Quando me sinto só me pego com Deus e peço pra ele tirar os pensamentos ruins da minha cabeça. Quero que ele prepare uma pessoa pra mim.
- Você tá certa, se for um como o meu marido é melhor ficar só!
O cobrador de ônibus avisou que o ponto onde Joaquina iria descer já estava próximo, enquanto seus dois filhos mais velhos, um loirinho que chorava baixo e outro moreninho que sorria sem parar, se equilibravam entre as cadeiras.
- Rafael e Misael a gente vai descer, o que é que esse menino tem?Fica chorando sem parar.
- Ele tá com vontade de vomitar mainha, tá com vergonha.
- Oxe, vai fazer o que se tá com vontade, vomite aí mesmo.
O ônibus parou e as amigas se despediram, desejando boa sorte uma para a outra.
- Vou pegar aquele safado de jeito, isso é coisa que ele faça?E você tome cuidado com esses homens Geraldina.
- Pode deixar, boa sorte pra você também.
Enquanto descia, um dos garotos continuava chorando e foi pouco a pouco, espalhando seu vômito pelo corredor do ônibus.
- Vixe, que menino mais nojento, puxou o pai, disse a mãe ao descer.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

No mundo das mudanças


Estamos em constate movimento, inclusive os que apenas sobrevivem, passando pela vida de forma despercebida. No trabalho, na escola, nos finais de semana acontecem coisas novas para quem aproveita intensamente.
Uma cadeira que muda de lugar, um novo chefe ou colega de trabalho, aquele sanduíche que ontem era 1,00 e que agora está mais caro. É através de coisas simples que o mundo gira ao nosso redor. Porém, existem mudanças que são difíceis de aceitar, como o fim daquele relacionamento no qual você tanto investiu ou quando um amigo vai tentar a vida em outro lugar e principalmente se um alguém querido morre.
Minhas mudanças não cansam de acontecer. Mudo de roupa, de óculos, de esmalte, troco refrigerante por suco e cerveja por caipirinha, o coração se engana, corto ou pinto os cabelos, não quero ir mais a lugares que antes me faziam bem. Quando algo não faz mais sentido tenho que encontrar um novo rumo, não posso parar de realizar meus sonhos.
O recomeço desta vez será na academia que frequento. Está em um novo endereço, e continuar a frequentá-la ou procurar outra, implica em conhecer novas pessoas, o que não me interessa no momento. Queria sim, estar com os antigos colegas, com as mesmas resenhas e ter a satisfação de chegar e ver gente tão familiar, com quem convivi durante mais de dois anos. Parece uma coisa boba, pouco vai influir na minha vida, mas foi a partir daí que tive a certeza de que nada dura para sempre.
Sentimentos e emoções variam e embora eu não queira um cotidiano imutável, porque não aguentaria a rotina de me ser, a gente se acostuma com certas coisas. Sò que, meio sem querer, apaixona e desapaixona, sonha quando deveria realizar, chora ao invés de rir e assim percebo que a verdadeira mudança começa dentro de mim.
Imaginar que o que eu desejo hoje pode ser o contrário do que amarei amanhã é complicado. Por que não temos vontades únicas durante toda uma vida? Para isso, seria necessário um movimento de translação, ao invés de girar em torno de mim mesma eu precisaria dar voltas em torno de alguma luz. E se esse sol não existir e eu tiver que girar sozinha para sempre?
Penso em mudar de casa, de Estado e até de país. Me acovardo, apesar de já não existirem tantos motivos para que eu fique, a não ser minha grande família e meus poucos e bons amigos. Até agora isso tem sido suficiente.
Amo tanto minha liberdade de escolha que tenho até medo de usá-la e prefiro as trocas mundanas do que as minhas próprias, já que elas nem sempre me satisfazem completamente. A verdade é que a gente está sempre tentando substituir um vazio, que nasce das coisas que não fizemos e das decisões que não tomamos.
Me sinto um todo em meio a um vácuo. Prometi que viveria tudo o que quero, mas como vai ser depois?Minha existência parece limitada demais, receio não ter tempo. Quando eu paro em um porto, meu mecanismo inquieto provoca uma grande explosão. Eu vou ficar ou procurarei outro lugar para ir?Poderei, assim como um caramujo, levar minha casa nas costas?Ou apenas lembranças na cabeça?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Domingo de sol


As pipas e os aviõezinhos de papelão do vendedor pairam no ar, num balé que encanta os "clientes", enquanto crianças bricam com bolas e enchem seus baldinhos com a areia molhada. Correm de um lado para o outro e choram se não lhes deixam entrar no mar. Pessoas passeam pela ponta d`areia em bicicletas, jogam vôlei e outras desfilam seus modelitos à la praia. Uns realmente exóticos e tem ainda, quem goste de exibir seu corpo sarado e tatuado.
Para entrar na moda, as meninas usam piercing no umbigo e quando passa um homem bonito e musculoso elas se agitam e se uma mulher com o corpão dá o ar da graça diante dos meninos nem se fala. Que absurdo!tem até cachorro fazendo suas necessidades em cima de um matinho.
Um grita de um lado: “Olha o camarão” e o outro rima a fala: “Olha o caldinho de feijão”. Os ambulantes vendem água de coco, casquinha de siri, sanduíche natural, pastel + suco por 1,00, quentinha, bronzeador, água oxigenada, cerveja, óculos, chapéu, queijo assado em um pequeno fogareiro feito com lata de leite, e até bichinho de pelúcia e esponja, mas quem usa isso na praia?
Na água, as jangadas vão e vêm geralmente com turistas, porque é difícil ver alagoanos embarcando nelas, já que preferem dar uns mergulhos e pegar aquele bronze. É possível identificar um visitante de longe, pois ele tem sempre uma câmera fotográfica pendurada no pescoço, usa chapéu e óculos escuros, além de roupinhas estranhas e até engraçadas e a pele é tão clara que fica logo vermelha.
Em bóias feitas com pneus, que são alugadas à beira-mar, os mais jovens ficam tranqüilos sobre as ondas, diante de casais protagonizando cenas de romance dentro d`água, será que estão só se beijando?
Alheio a tudo está um sol escaldante e o céu azul anil, com nuvens espessas que passam sobre nós, formando aquelas figuras engraçadas e ainda, os coqueirais que fazem sombra, depertando receio de que algum coco caia. Tem quem prefira se esconder do que está ao redor, ficando nos barzinhos apenas comendo, bebendo e ouvindo música ao vivo.
Os famosos farofeiros marcam presença, levam a família toda à praia e é claro, suas caixas de isopor com bebidas e muita comida, como frango com farofa, isso é clássico!Se tem muita gente fica mais barato levar de casa, porque os preços são um pouco salgados na praia.
Tem cadeiras, mesas, guarda-sol, tudo para alugar, só que algumas mulheres preferem forrar a canga na areia e deitar. "Embebidas" de bronzeador, torram no calor, querem ter a marquinha do biquíni e chegam até a dar um cochilo. Elas esquecem o filtro solar e ficam muito ardidas, dificilmente entram no mar, para não desarrumarem os cabelos.
As mais cheinhas geralmente usam maiôs, só que têm as que não se importam com a gordurinha e gostam mesmo de um fio dental, o que gera comentários sarcásticos. A maioria das mulheres usa biquínis bem pequenos e originais e os homens, bermudas e sungas que variam de tamanho. O chinelo é universal, porque ir à praia de salto, mesmo que baixo é desconfortável, os pés afundam na areia.
Podemos encontrar também os famosos "bifes à milanesa", que são pessoas que passam tanta coisa na pele que a areia cola até no rosto, à medida que o vento se agita ou quando as crianças correm e até se alguém sacode uma toalha.
Os aventureiros desfrutam dos esportes radicais, a exemplo do kitesurf, que utiliza uma pipa feita do mesmo material da asa-delta e uma prancha, que pode ser especial ou de surf. O tempo tem que estar favorável, porque gente já morreu praticando e afinal, onde estão os salva-vidas?
Mesmo com alguns esgotos que correm a céu aberto, o mar ainda é azul e esse é apenas mais um domingo de sol, porque na praia é assim, ricos e pobres, gordos e magros, bonitos e feios se encontram. Um espaço democrático como nenhum outro, só que ainda é possível perceber diferenças, que estão na forma de cada um se comportar e muitas vezes no espaço que ocupam na areia e no mar.

sábado, 25 de outubro de 2008

A África que a gente não vê na tv


É difícil imaginar a Àfrica para além de doenças e miséria. Principalmente para aqueles que têm a televisão como única fonte de informação.
A disseminação da idéia de que o continente é tão pobre a ponto de todos morrerem de fome povoa o imaginário de pessoas das mais diversas nacionalidades. Elas nutrem até um certo receio de se depararem com alguém que venha de lá.
Até os livros trazem consigo a marca desse preconceito, abordando apenas a África "animalesca" e dedicando pouco espaço para falar de sua cultura e é fato que os africanos nos trouxeram inúmeras contribuições.
No sangue brasileiro que é negro, na capoeira, nas comidas típicas e até em nosso vocabulário o espírito afro mantém-se vivo, apesar de matarem, pouco a pouco suas origens. Essa questão tem sido abordada durante a Semana de cultura africana, realizada no mês de outubro, simultâneamente ao Congresso acadêmico da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Lá, curiosos podem se familiarizar com as danças, os trages, as comidas e mais ainda com a história, repleta de contrasensos.
Com os olhos tão vivos e a pele pintada de luz, homens e mulheres africanos que vieram estudar no Brasil através do Programa de Estudante – Convênio de Graduação (PEC-G), que é uma cooperação entre os países de língua portuguesa, mostram sua graça e beleza, reafirmando sua identidade.
Ensinam os passos do Zouk e do Funaná, empolgando uma multidão, que será responsável pelo início da mudança na forma de "pensar África". De repente, descobrimos que a tv esconde o patrimônio daquele continente. Nos países africanos fala-se o português e lá as pessoas não dependem de animais para se locomoverem, nem tão pouco vestem trapos e morrem desnutridas.
Existe sim, pobreza até mais do que em outros lugares, mas não tão intensa a ponto de suprimir a vida que ainda é capaz de trazer esperança para as gerações futuras.
Espoliados durante séculos - antes reis e rainhas - os negros continuam sofrendo discriminação. Não é apenas uma questão de cor é algo mais implícito. Geralmente não procuramos conhecer aquilo que nos mostram através de um espelho, que reflete ideologias que pretendem continuar com a escravidão, só que ela se manifesta no pensamento.
Não fechemos os olhos para as desigualdades que se perpetuam em pleno século XXI entre negros de todos os países. Somos iguais, com nossos defeitos e qualidades porque afinal, África somos todos nós.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Esses estrangeiros...


Eles simplesmente amam o Brasil. Cada vez mais acredito que não é apenas pelas lindas mulheres das quais fazem tanta propaganda. Os europeus gostam mesmo do sol, do mar e do ar amistoso que os brasileiros têm. Alguns odeiam o frio e o fato de ficarem o ano inteiro com a pele clara.
Dependendo da cidade que visitam podem ser vistos como meros homens em busca de turismo sexual. Isso porque se um “gringo” visita uma capital nordestina, ele poderá encontrar atrativos diferentes dos que teria no Sudeste, já que existe todo um apelo sexual, principalmente para atraí-los a cidades litorâneas como Fortaleza, Salvador, Natal e Maceió.
Existem ainda, os que vêm mesmo com o intuito de fazer investimentos imobiliários, porque a moeda deles vale quase três vezes mais. Logo, se deparam com enormes desigualdades sociais que transformam o Brasil na terra do "pode tudo".
Ao contrário de alguns países europeus aqui as mulheres são tidas como fáceis e infelizmente é essa imagem, vendida pela mídia, que a maioria tem. A pobreza da população incentiva a violência e a prostituição e até as crianças aprendem o idioma para pedir esmolas.
Não que lá fora isso não exista, mas aqui tudo acontece às claras e sem limites. Um garoto com roupas sujas e pés descalsos disse a um italiano que estava em frente a um bar: “Um reale para mangiare”. De repente, percebi que Maceió já faz parte da rota estrangeira e isso tem prós e contras.
Após a abolição da escravatura, europeus foram trazidos ao Brasil para trabalhar nas lavouras. Implicitamente essa foi a forma encontrada para embranquecer a população, que até então era composta por muitos africanos. Pura hipocrisia!
Só que hoje é interessante como os estrangeiros que não têm muito dinheiro no país em que vivem podem vir aqui e desfrutar de uma vida de rico. Freqüentam os melhores lugares e gastam dinheiro por conta, além de conhecerem coisas que os próprios habitantes nunca viram.
Para um brasileiro ir à Europa é quase impossível. As passagens são caras, a entrada nesses países é difícil, sem contar que juntar um bom dinheiro não é suficiente, já que o real não vale muito, além de nossas fronteiras.
Quando os gringos vêm para cá são vistos como deuses. Tem muita mulher querendo fisgar um europeu, largar a vida pobre e ir embora com ele. Na maioria das vezes é isso que motiva a prostituição. Sem perspectivas, as garotas de programa buscam um príncipe encantado, capaz de mudar suas vidas. Eles também procuram aqui um grande amor e ás vezes acabam encontrando.
Em terras brasileiras esses turistas empregam valores altos demais para os nativos. Ir da Jatiúca até a praia do Francês pagando R$120,00 parece loucura, já que é possível conhecê-la embarcando em uma van saindo de Maceió, que cobra R$ 2,00.
Na verdade, quando as pessoas sabem que se trata de um turista internacional tendem a explorar mesmo, por pura má fé. Cobram caro e até dificultam o troco, além de empurrarem tudo quanto é besteira para eles comprarem.
A vida na Europa pode não ser tão próspera. Lá, o custo de vida é alto e é preciso trabalhar duro para conquistar um lugar ao sol. Arriscar é dar um salto rumo ao desconhecido, já que o caos também se instalou naquele continente. Mas, uma amiga alagoana que mora na Itália disse que mesmo com a crise mundial é melhor estar do lado de lá.
Pode ser, só que é preciso coragem para descobrir, e existem tantas contradições. Enquanto brasileiros querem encarar o frio e ganhar em euro, europeus dariam tudo para viver aqui e procuram manter cada vez mais vínculos com nosso Brasil.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Fato inesperado

Não bastasse a dor vivida pela família da adolescente Eloá, a polícia de Alagoas descobriu que o pai da menina é foragido da justiça desde 1993. O ex-cabo da Polícia Militar, Everaldo Pereira dos Santos fazia parte da gangue fardada, responsável por roubo de cargas e assassinatos no Estado.
Ele tem quatro mandados de prisão e esse foi o motivo da família alagoana ter se mudado para São Paulo. Segundo a polícia ele teria mudado o nome para Aldo José da Silva e é acusado de participar do assassinato do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT).
A Secretaria de Defesa Social de Alagoas não tem dúvidas de que se trata da mesma pessoa e solicitará uma força-tarefa conjunta com a polícia paulista, para que sejam realizadas buscas para efetuar a prisão.
O crime ocorreu em 1991, no bairro de Bebedouro, em Maceió. Além do delegado, foi morto também seu motorista Antenor Carlota. É muita coincidência e tristeza...

Doação de vida

Numa tarde de segunda-feira (13) a rotina mudou em um conjunto habitacional na periferia de Santo André, no ABC paulista. Em um dos apartamentos, quatro adolescentes foram feitos reféns.
A alagoana Elóa Cristina, a amiga Nayara - ambas de 15 anos - e mais dois colegas faziam um trabalho escolar, quando Lindemberg Alvez empreendeu o seqüestro, inconformado com o fim do relacionamento com Eloá.
Inicialmente os dois jovens foram liberados e posteriormente Nayara. Mas, a agonia da outra menina duraria 5 dias. O Brasil inteiro se mobilizou, fez orações, manifestou solidariedade, enquanto outros negociavam o fim de um dos seqüestros mais complexos do país.
Como parte das estratégias de negociação, Nayara voltou ao apartamento na manhã de quinta-feira (16). Porém, isso não foi capaz de sensibilizar o sequestrador, já que as duas foram feridas e Eloá teve morte cerebral na noite de sábado(18).
Mas, enquanto uma vida acaba outras ressurgem, graças à doação de órgãos. Para alguém viver, a menina teve que morrer e isso parece um ciclo injusto, pois milhares de pessoas esperam uma doação.
A questão envolve uma série de complexidades, porque há uma rede especializada em tráfico de órgãos, assunto pouco abordado pela mídia. São médicos e outros profissionais que podem agilizar a morte de alguém, caso saibam que se trata de um doador.
Tive notícias de um caso que aconteceu em um hospital de Maceió. Um homem faleceu e durante o velório, a família percebeu que saia um pó estranho de dentro dele. Ao olharem melhor, descobriram que se tratava de pó de serra e que sem dúvida tinham retirado seus órgãos sem que ninguém soubesse. Com medo, os parentes acabaram deixando isso pra lá, mas há grandes chances de seus órgãos terem sido negociados.
Na carteira de identidade a pessoa também pode se declarar doadora, só que me parece algo perigoso. Meu tio tem isso escrito em seu documento, mas disse que em nenhum momento fez a solicitação. Comentei o quanto isso é estranho, porque na pior das hipóteses, se ele chegasse a ser atendido em algum hospital poderiam manipular uma doação de órgãos.
Mas, esquecendo um pouco o lado trágico existe toda uma doação de vida, porque geralmente muitos órgãos são aproveitados, como coração e pulmão e isso é capaz de salvar adultos e crianças.
Pretendo doar meus órgãos, porque se Deus me levar muito cedo quero ter a sensação “morta” de que meu coração apaixonado pela vida, pulsa no peito de outra pessoa. Imaginar isso é estranho, afinal, ninguém quer morrer, só que não pretendo me declarar doadora no documento de identidade, prefiro deixar meu pedido apenas com meus familiares.
É triste saber que existem pessoas que negociam a vida e a morte e que nesses momentos, ter dinheiro é o fator fundamental para alguém viver. Parentes desesperados podem até tentar essa tática e ela tem terreno fértil nesse desespero e porque existem "clientes" potenciais. Meu Deus, quanto vale uma vida?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

Ás vezes fico pensando como a gente pode gostar de pessoas tão diferentes de nós. Preferências completamente avessas, tipo de música nada a ver, forma particular de encarar as coisas. Será que os opostos se atraem? Para mim isso foi disseminado também para mascarar a premissa de que o homem é para a mulher e vice-versa.
Questionei-me sobre o compartilhamento das preferências depois de prestar atenção à música “Eduardo e Mônica”, do Legião Urbana, onde uma garota que faz medicina e que aparentemente é hippie se apaixona perdidamente por um garoto mais novo, que ainda está começando a vida.
Na realidade também funciona assim, só que à medida que descobrimos coisas em comum passamos a nos familiarizar com a pessoa, porque é tão bom e engraçado saber que existe alguém que gosta da sua comida preferida, daquela música que te deixa nas alturas, só que isso não basta.
Para muitos isso pode não ter graça nenhuma, porque é como se a outra pessoa não tivesse sua individualidade ou aderisse aos gostos do outro só para agradar. Logo, pode-se descobrir que duas pessoas “iguais” não dão certo juntas.
Sempre procuro pessoas parecidas comigo, mas estou casada de saber que cada um é único. Tem que haver um contraponto, já que um relacionamento precisa de doses de razão e emoção e seria monótono demais se ambos nunca se questionassem.
Amar é complicado demais ou somos nós que tornamos isso tão complexo? A verdade é que quando a gente se apaixona por alguém não desapaixona pelo simples fato da pessoa preferir biscoito de morango e você de chocolate ou por ela não querer ir para os lugares que você gosta ou até porque você curte reggae e ela forró.
Nem sempre a gente escolhe de quem vai gostar e é difícil saber se a pessoa vai nos corresponder, porque o sentimento envolve mais do que gostos em comum. A nossa outra parte, se é que ela existe, deve mesmo ter lá suas diferenças.
As pessoas procuram constantemente sua cara-metade e isso me lembra uma história da mitologia grega, que dizia que antes, existia uma criatura andrógina, que unia no mesmo corpo o masculino e o feminino. Esse ser mitológico desafiou os deuses e foi punido, separado de sua outra parte e condenado a procurar por ela. Como e onde vamos encontrá-la?
O amor é uma construção diária de amizade, confiança, compreensão e é claro, cumplicidade. É bom saber que o outro gosta do que você gosta, mas é ainda melhor saber que ele é capaz de trazer consigo o que não existe em nós. Afinal, já dizia Renato Russo: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão”?


Eduardo e Mônica (Legião Urbana)

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram...
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer...
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não 'to' legal, não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar..."
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete,
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camêlo
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica era nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema
clube, televisão"...
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser...
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar...
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz
Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação
Ah! Ahan!
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Primo apaixonado

-Você tem que me ajudar!
-Preciso contar a uma menina que gosto dela, prima.
-É tão simples Túlio, basta você chegar pra ela e dizer: Eu gosto de você!
-Não é assim, porque acho que ainda gosto da minha ex-mulher.
-Se você gosta dela por que não voltam então?
-Não daria certo, será que é possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo?
-Ela foi o grande amor da minha vida e se namorar com outro eu morro!
-Quer dizer, não morro de verdade, mas meu coração vai ficar magoado.
Túlio e Clarissa namoraram durante sete anos e depois que casaram tiveram um filho e ficaram apenas um ano juntos. Através de um amigo ele ficou sabendo que foi traído, só que nunca teve a certeza. Terminaram o relacionamento e ela foi morar em outro estado.
Clarissa ligou, dizendo querer voltar, só que mesmo continuando apaixonado, Túlio disse que ela deveria continuar onde estava, porque seria melhor para ambos.
-Você teve certeza da traição dela?
-Não, mas todo mundo comentava, uma traição dói demais.
-Será que dói tanto assim?E se fosse você que tivesse ficado com outra? seria normal né?
-Isso é puro machismo, porque o homem pode e quando a mulher faz é a pior criatura do mundo?
-Se você a ama, essa traição deve ser perdoada.
-E se não der certo Lilian?Tenho medo do que as pessoas vão falar. Eu jurei que nunca voltaria pra ela!
-Não se importe com isso, você só vai saber se arriscar.
-Prefiro esquecer essa história, vou dizer que gosto da Nadia, já estamos juntos há um tempo e acho que ela gosta de mim.
-Me ajude Lilian!
-O que você quer que eu faça?eu nem conheço essa menina.
-Eu te apresento ela, você diz que eu te contei que quero ter um relacionamento sério com ela.
-Olhe Túlio as coisas não são assim. As mulheres não gostam de intermediários, se você gosta dela tem que dizer pessoalmente.
-Tenho medo de levar um fora e dela dizer que não gosta de mim da mesma forma.
-Quando você vai pra uma festa e pede pra dançar com as meninas você não tem vergonha.
-Só que é diferente, porque geralmente estou bêbado.
-E se você estiver com a Nádia e a Clarissa pedir pra voltar, como vai ser?
-Eu deixo a Nádia e volto, só que não posso fazer isso!
-Tenho que reconstruir minha vida, mas vou amar a Clarissa pra sempre!
-Complicado isso primo, pra mim a gente tem que ficar com quem gosta de verdade. Todos merecem uma segunda chance.
-Vamos pra casa que você já bebeu demais rapaz.
-Prometa pra mim que amanhã você vai me ajudar com a Nadia.
-Ok, vamos ver o que eu faço.
Túlio e Lilian foram para casa. A mãe dele estava esperando e reclamou um pouco, só que ele caiu bêbado na cama e dormiu. Pela manhã, Lilian foi combinar a estratégia de conquista com seu primo.
-E aí, tudo certo pra hoje?
-Certo pra quê?
-Não lembra do que conversamos ontem?Você me pediu uma ajudinha.
-Oxe, não lembro de nada!

P.S. Os homens, mesmo quando gostam, não dão o braço a torcer diante de uma traição. Muitos deles usam a bebida para terem coragem de revelar seus segredos e mágoas. Para mim, homem também pode chorar, sofrer e perdoar...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Festa no interior

Os carros que fazem o trasporte alternativo vão e voltam em ritmo frenético, saindo da capital para o interior. Ficam sempre lotados, com pessoas que querem apenas aproveitar a programação de pequenos municípios alagoanos ou até mesmo com as que seguem a rotina de visitar a família no final de semana.
Durante as paradas, o cobrador, que na maioria das vezes é bem jovem, grita informando o destino do carro. Pilar, Atalaia, Campo Alegre, Palmeira dos Índios, Arapiraca, afinal, aonde você quer ir?
Ás vezes, mesmo não indo para o destino desejado o motorista dá um jeitinho, combina o preço e muda o itinerário ou então, chega em um ponto do percurso e te faz entrar em outro veículo, dividindo o valor cobrado com o outro condutor.
São malas de roupas e sacolas com comida que abarrotam o porta-malas das vans. É gente lamentando ter que trabalhar na capital e dizendo que se pudesse, não trocava a paz do campo pelo caos urbano.
Além dessas pessoas têm as que preferem ir apenas para curtir, quando a prefeitura de algum desses municípios contrata uma banda famosa, juntando gente de todo o Estado. Alguns eventos têm fins eleitoreiros, como a promoção da vitória de prefeitos e vereadores nas eleições.
É interessante como no interior existe um fascínio da população pelos políticos. Até as crianças cantam a música e gritam o número dos candidatos, que por vezes, passam muito tempo no poder e nada fazem. Essas festas parecem compensar os votos, apesar dele não ter preço. São sempre gratuitas, satisfazendo a população e tenho que concordar que lá é possível conhecer muita gente legal e dá até para se divertir.
Na entrada de uma festa que aconteceu ontem, no município de Pilar, havia muitos carros estacionados e pessoas que se amontoavam perto do palco. Inúmeras barraquinhas vendendo, de bebidas a enfeites de cabelo com o nome da atração principal da festa complementavam o cenário. Todos colocam suas melhores roupas para aproveitar a farra, que até gera algumas brigas e namoros desfeitos. Meu Deus, tem muita mulher neste Estado....
A banda começa a tocar, homens e mulheres se juntam e promovem o arrasta-pé. Até quem não sabe os passos entra no ritmo. Ali, todos são iguais, querem só esquecer um pouco das mazelas cotidianas e serem felizes, mesmo que por uma noite.
O que me deixa irritada nesses lugares é a forma como alguns homens tratam as mulheres. Querem obrigá-las a dançar, puxam no cabelo e no braço, e os mais petulantes chegam a ofender. Mas, de repente, a banda parou e a chuva caiu, lavando a alma do povo...já era hora de voltar para casa.

domingo, 12 de outubro de 2008

Sinais do amor

Meu coração não é de pedra e nem mesmo de gelo, como alguns pensam. A racionalidade que chegou com meus “20 e poucos” anos pode até fazer com que duvidem disso, mas basta saber entender os sinais do amor.
Agir pela emoção nos dias de hoje pode machucar amantes incaltos, porque aonde quer que se vá, existe alguém querendo “roubar” um pouco do seu lado sentimental, e geralmente isso é tão breve.
Mas, declaro veementemente que não sou cética diante do amor, sei reconhecê-lo quando chega e ainda tenho a capacidade de chorar quando algo dá errado. No entanto, prego a mutualidade das sensações.
Amar incondicionalmente me parece cada vez mais difícil. É preciso que o outro também ame, que demonstre mais do que fale. Afinal, as palavras ás vezes enganam e assumem inúmeros significados.
A sensação maluca do amor adolescente pode demorar por uma vida toda, assim como pode vir sem que se veja, e seu aviso é algo incrível. A gente fica sem saber o que fazer direito, fala besteira e até age de forma estranha.
No meu caso, o coração entra em colapso e transborda em um misto de razão e emoção. Mas, como reconhecer uma paixão? Digo que se você sentir uma dor pulsando devagarzinho dentro de você, quando se pensa na pessoa ou em casos mais graves, quando se assisti a um filme ou se ouve uma música que te faz lembrar, você está apaixonado.
É preciso ficar atento e não ter medo de se machucar, preço que pode parecer alto demais. Só que amar de verdade tem ficado cada vez mais limitado às histórias. A maioria das pessoas arrisca menos, prefere investir em coisas mais abstratas e profanas, beija-beija, fica-fica e não se deixa levar.
Isso acontece pelo medo da infidelidade e ás vezes na busca da própria individualidade, só que não tem como saber se você não viver esse momento. A mágoa de relacionamentos passados insiste em doer, o que deixa o coração mais cauteloso.
É preciso que haja tempo para tudo, porque amar requer tempo para fazer crescer o sentimento, para reconhecer os defeitos do outro e mesmo assim, continuar gostando e acima de tudo é necessário tempo para que a gente seja feliz.
Como começar um namoro? Ambos se vêem, conversam, descobrem um pouco de cada um, trocam telefone e assim começa um turbilhão de sentimentos. Ligam e se encontram com mais freqüência, até que depois de um tempo se consideram namorados, o pedido formal ficou no passado.
Pareceria simples, não fosse o medo de se entregar de corpo e alma à alguém. Só que desvendar o desconhecido pode ser gostoso. Sei que aprendo cada vez mais sobre esse sentimento e juro que não sossego, porque preciso continuar acreditando que ele existe.

sábado, 11 de outubro de 2008

Passagem para o medo

Não há dúvidas de que a passagem de ônibus em Maceió é uma das mais caras do Nordeste. Também é fato que grande parte da população, que por não ter como arcar com as despesas do transporte coletivo, se submete à humilhação de entrar pela porta de trás ou se arrisca em bicicletas, à mercê de veículos pesados que trafegam pelas rodovias.
Presenciar cenas de pessoas sendo prensados nas portas traseiras dos coletivos já me parece algo comum. Porém, ver um homem apontar uma pistola para cinco crianças e três mulheres, que não pagaram a passagem, foge à regra.
Isso aconteceu após uma discussão com a "cobradora", que incentivou o homem a descer do ônibus e intimidar os que não pagaram. Os cinco pequenos, que usavam roupas rasgadas e sujas, reluziam o medo em seu olhar, enquanto os demais passageiros tremiam e se espremiam na parte traseira do coletivo, temendo levar um tiro.
Enquanto uma das mulheres, que mesmo bêbada, pedia para que o homem baixasse a arma, os demais emudeceram, pareciam perplexos com a situação. O "justiceiro" estava visivelmente embriagado e manuseava a arma de forma amendrontadora, parecendo querer atirar naquelas pobres pessoas.
Após alguns minutos, ele guardou a pistola e entrou no ônibus calmamente, como se nada tivesse acontecido. Os "maus pagadores" não desceram e os demais passageiros respiravam aliviados, apesar do medo ainda pairar no ar, já que eles temiam um novo ataque de fúria.
Não havia como entender o fatídico episódio, afinal, poderia mesmo R$ 1,80 ser mais importante do que uma vida? Sabe-se que o responsável pela confusão é um policial, que trabalha como segurança no mercado da produção, de onde aquelas mães voltavam cheirando a peixe, depois de mais um dia de luta para conseguir sobreviver.
Matar teria se tornado algo tão banal assim?Por que ninguém reagiu?As pessoas ainda têm compaixão? Mas, o que fazer diante de uma situação dessa? Policiais teriam o direito de coagir cidadãos?Ás vezes acho mesmo que o mundo está ao contrário...

Pensando e contando...

Ás vezes prefiro escrever do que dizer, porque as palavras me parecem mais familiares do que minha própria existência.
Pensar e contar, eis a proposta deste blog, onde traduzirei das mais diversas formas, minhas inquietações e observações acerca da vida e para além de tudo.
A literatura da vida real estará aqui e espero mostrá-la de forma imperfeita, com a consciência de que, além de contar histórias e preciso vivê-las.