
Estamos em constate movimento, inclusive os que apenas sobrevivem, passando pela vida de forma despercebida. No trabalho, na escola, nos finais de semana acontecem coisas novas para quem aproveita intensamente.
Uma cadeira que muda de lugar, um novo chefe ou colega de trabalho, aquele sanduíche que ontem era 1,00 e que agora está mais caro. É através de coisas simples que o mundo gira ao nosso redor. Porém, existem mudanças que são difíceis de aceitar, como o fim daquele relacionamento no qual você tanto investiu ou quando um amigo vai tentar a vida em outro lugar e principalmente se um alguém querido morre.
Minhas mudanças não cansam de acontecer. Mudo de roupa, de óculos, de esmalte, troco refrigerante por suco e cerveja por caipirinha, o coração se engana, corto ou pinto os cabelos, não quero ir mais a lugares que antes me faziam bem. Quando algo não faz mais sentido tenho que encontrar um novo rumo, não posso parar de realizar meus sonhos.
O recomeço desta vez será na academia que frequento. Está em um novo endereço, e continuar a frequentá-la ou procurar outra, implica em conhecer novas pessoas, o que não me interessa no momento. Queria sim, estar com os antigos colegas, com as mesmas resenhas e ter a satisfação de chegar e ver gente tão familiar, com quem convivi durante mais de dois anos. Parece uma coisa boba, pouco vai influir na minha vida, mas foi a partir daí que tive a certeza de que nada dura para sempre.
Sentimentos e emoções variam e embora eu não queira um cotidiano imutável, porque não aguentaria a rotina de me ser, a gente se acostuma com certas coisas. Sò que, meio sem querer, apaixona e desapaixona, sonha quando deveria realizar, chora ao invés de rir e assim percebo que a verdadeira mudança começa dentro de mim.
Imaginar que o que eu desejo hoje pode ser o contrário do que amarei amanhã é complicado. Por que não temos vontades únicas durante toda uma vida? Para isso, seria necessário um movimento de translação, ao invés de girar em torno de mim mesma eu precisaria dar voltas em torno de alguma luz. E se esse sol não existir e eu tiver que girar sozinha para sempre?
Penso em mudar de casa, de Estado e até de país. Me acovardo, apesar de já não existirem tantos motivos para que eu fique, a não ser minha grande família e meus poucos e bons amigos. Até agora isso tem sido suficiente.
Amo tanto minha liberdade de escolha que tenho até medo de usá-la e prefiro as trocas mundanas do que as minhas próprias, já que elas nem sempre me satisfazem completamente. A verdade é que a gente está sempre tentando substituir um vazio, que nasce das coisas que não fizemos e das decisões que não tomamos.
Me sinto um todo em meio a um vácuo. Prometi que viveria tudo o que quero, mas como vai ser depois?Minha existência parece limitada demais, receio não ter tempo. Quando eu paro em um porto, meu mecanismo inquieto provoca uma grande explosão. Eu vou ficar ou procurarei outro lugar para ir?Poderei, assim como um caramujo, levar minha casa nas costas?Ou apenas lembranças na cabeça?

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