terça-feira, 21 de outubro de 2008

Doação de vida

Numa tarde de segunda-feira (13) a rotina mudou em um conjunto habitacional na periferia de Santo André, no ABC paulista. Em um dos apartamentos, quatro adolescentes foram feitos reféns.
A alagoana Elóa Cristina, a amiga Nayara - ambas de 15 anos - e mais dois colegas faziam um trabalho escolar, quando Lindemberg Alvez empreendeu o seqüestro, inconformado com o fim do relacionamento com Eloá.
Inicialmente os dois jovens foram liberados e posteriormente Nayara. Mas, a agonia da outra menina duraria 5 dias. O Brasil inteiro se mobilizou, fez orações, manifestou solidariedade, enquanto outros negociavam o fim de um dos seqüestros mais complexos do país.
Como parte das estratégias de negociação, Nayara voltou ao apartamento na manhã de quinta-feira (16). Porém, isso não foi capaz de sensibilizar o sequestrador, já que as duas foram feridas e Eloá teve morte cerebral na noite de sábado(18).
Mas, enquanto uma vida acaba outras ressurgem, graças à doação de órgãos. Para alguém viver, a menina teve que morrer e isso parece um ciclo injusto, pois milhares de pessoas esperam uma doação.
A questão envolve uma série de complexidades, porque há uma rede especializada em tráfico de órgãos, assunto pouco abordado pela mídia. São médicos e outros profissionais que podem agilizar a morte de alguém, caso saibam que se trata de um doador.
Tive notícias de um caso que aconteceu em um hospital de Maceió. Um homem faleceu e durante o velório, a família percebeu que saia um pó estranho de dentro dele. Ao olharem melhor, descobriram que se tratava de pó de serra e que sem dúvida tinham retirado seus órgãos sem que ninguém soubesse. Com medo, os parentes acabaram deixando isso pra lá, mas há grandes chances de seus órgãos terem sido negociados.
Na carteira de identidade a pessoa também pode se declarar doadora, só que me parece algo perigoso. Meu tio tem isso escrito em seu documento, mas disse que em nenhum momento fez a solicitação. Comentei o quanto isso é estranho, porque na pior das hipóteses, se ele chegasse a ser atendido em algum hospital poderiam manipular uma doação de órgãos.
Mas, esquecendo um pouco o lado trágico existe toda uma doação de vida, porque geralmente muitos órgãos são aproveitados, como coração e pulmão e isso é capaz de salvar adultos e crianças.
Pretendo doar meus órgãos, porque se Deus me levar muito cedo quero ter a sensação “morta” de que meu coração apaixonado pela vida, pulsa no peito de outra pessoa. Imaginar isso é estranho, afinal, ninguém quer morrer, só que não pretendo me declarar doadora no documento de identidade, prefiro deixar meu pedido apenas com meus familiares.
É triste saber que existem pessoas que negociam a vida e a morte e que nesses momentos, ter dinheiro é o fator fundamental para alguém viver. Parentes desesperados podem até tentar essa tática e ela tem terreno fértil nesse desespero e porque existem "clientes" potenciais. Meu Deus, quanto vale uma vida?

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