segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sorte



"Emanuelle, quem ganhar seu coração tem muita sorte". Ouvi essa frase de duas pessoas um tanto suspeitas pra falar e respondi: Sorte nenhuma!Eu que terei sorte se merecer o amor de quem eu amo. Esquisito isso, mas sou tão difícil de me apaixonar que os pretendentes ou ex-namorados costumam profetizar sentimentos.

Antes de tudo dizem que sou difícil de entreter, de conquistar e ainda, que pra encontrar comigo tem que insistir, marcar mil vezes e ter a sorte de eu não desmarcar. Incrível como faço tudo isso sem perceber. Fujo de não sei o que, mas quando finalmente paro e reparo, ás vezes a mágica acontece.

Quando ela inunda meu peito de música e faz eu acordar de manhã e olhar o sol pela janela, sentindo o vento beijar meu rosto eu mal consigo me conter. Sou tão imediatista que me apavoro com a fugacidade de algumas coisas. Me apaixonei várias vezes, mas amei poucas.

Os relacionamentos mais intensos começaram com desencontros, brigas, atos desmedidos, mas desde o início de cada um deles eu senti o peito pulsando e as borboletas voando no estômago. Era isso que me movia e embora errando, eu continuava tentando. Namorar exige muito das pessoas e nem sempre elas estão dispostas a essa doação.

Já teorizei muito e na prática, fiz tudo errado, mas à medida que o tempo vai passando as coisas vão se refinando e as atitudes sendo reavaliadas. Esse é meu momento. Descobri que não é possível aceitar tudo quando se ama, porque trata-se de um sentimento egoísta.

Dizem que quando a gente ama quer ver a outra pessoa feliz, mesmo que não seja ao nosso lado. Isso é verdade, mas enquanto houver esperança o coração vai lutar, clamar por uma chance. Ninguém aceita completamente a idéia de ver a pessoa amada com outra. Aprendo isso à cada dia, errando, é claro.

Agora, trago mais intenso o desejo de acertar, de fazer diferente e de me reinventar, melhorando meu jeito de agir, de sentir. Tô crescendo, tentando ser menos egoísta e quem sabe um dia eu concorde com a idéia de que ter meu amor é sorte.

sábado, 24 de julho de 2010

Menina inconsequente




Aonde essa inconsequência vai te levar?Oh, menina mimada, sapeca, quer tudo na hora e do jeito que melhor lhe convier. Ás vezes chora tão fácil, quando uma coisa não lhe é dada e em outras, lhe faltam forças, pra ir buscar aquilo que quer. Ah essa moleca, atrevida e rebelde tem no coração um jeito esquisito de amar.

Não gosta de joguinhos, mas sabe bem como jogar. Entra na dança, embora tenha medo de se machucar. Esconde no sorriso a dor dos olhos tristes, toda vez que ela não sabe por onde começar. Todos a amam e ela, teima em não se apaixonar. Mas tudo isso é bobagem, a inconsequente só não tem medo de sonhar.

Apaixona com tamanha intensidade e desapaixona com muito pesar. É livre dos braços do mundo, só que o coração a quer amarrar. Ela agora está tão triste, com receio de não saber falar o que a alma reclama e a menina insiste em guardar. Não adianta mais fugir, inconsequente, meça suas ações, que sempre afastam as pessoas que querem te amar.

Dance, ria, viaje, é isso que você gosta de fazer. Mas também ame, sofra e se lembre que na vida todos podem perder.Ah, sua inconseqüente, tantas vezes eu já tive raiva de você, principalmente quando não me deixas ser o que quero ser. Está na hora de crescer menina mulher. Pare de não medir as consequências, pense em toda gente, pare de pensar só em você.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Férias por aí...



Achei que nunca fosse querer voltar da minha última viagem de férias. O roteiro, decidido no susto e várias vezes alterado foi acompanhando por um amigo chamado Hélio, que mora em Santos e vive aventurando por aí. Nos conhecemos no Recife e eu estava louca para ir a Porto de Galinhas. Foi quando ele me disse que ia e eu, arrastando uma mala super pesada, com o intuito de passar um mês longe de casa, decidi segui-lo.

Estava chovendo em Porto, logo lá, que tem uma das praias mais famosas do Brasil, mas foi só no primeiro dia. Achamos coisas baratas e apesar de julho ser um mês de férias o lugar estava quase deserto. Havia os moradores, alguns casais de turistas e gente passeando com a família. Ficamos no albergue do Alberto por R$ 15,00, lugar simples, mas muito acolhedor. Assim, comecei minha vida de mochileira, tentando conseguir os melhores preços e conhecer os lugares mais lindos de Ipojuca, que abriga a praia de Porto, o que confesso, é novidade pra mim.

Nós fizemos coisas de turistas também, como passeios ás piscinas naturais da praia dos Carneiros e Porto de Galinhas. O primeiro custou R$ 25,00 e o segundo R$ 10,00, tão baratos e valem muito a pena. Faltou fazer o ponta a ponta de Buggy, além de tantos outros destinos oferecidos, como Cabo de Santo Agostinho e a alagoana e linda Maragogi, mas já fui lá. Há lugares legais em Porto que cobram R$ 8,00 pelo almoço, mas se procurar, é possível encontrar self services sem balança até por R$ 6,50 no Centro e a comida é ótima. Se quiser gastar pouco não decida comer em restaurantes à beira-mar, o peixe e o camarão são caríssimos!

Painho, assustado com os filmes “Turistas” e “O albergue” me alertou sobre a existência de psicopatas em locais como Porto de Galinhas, mas afinal, onde eles não estão? Quando eu contei ao Hélio sobre isso até ele ficou com medo, embora já tenha viajado pelo mundo. De uns tempos pra cá comecei a querer sair do Brasil, de férias, é claro, apesar do receio em relação ao preconceito com as brasileiras, vistas como prostitutas. Há convites para conhecer a Itália, a França, o Canadá e a Argentina, mas o que falta mesmo é o dinheiro e com a taxa de câmbio então...

Hélio falava comigo como se fosse um pai, sempre preocupado, embora não tenha filhos. Ele tem 43 anos, enquanto eu, estou no auge dos meus 26. Era muito engraçado quando as pessoas pensavam que éramos um casal, o que rendeu situações muito esquisitas, entre elas, as perguntas toscas de um cara que confundiu o Hélio com um italiano casado com brasileira. Recebi tantos, mais tantos conselhos do meu novo amigo, que confiou em mim para contar alguns segredos, graças a minha facilidade, que eu não sei de onde vem, para entender e aceitar as pessoas como elas são.

Lembro de cada palavra dele ao ouvir os meus dramas amorosos e as pequenas complicações que eu insisto em transformar em grandes problemas. Ele pediu pra eu não ter medo de arriscar e seguir meu coração. Parece que estou ouvindo o Hélio dizer: "Ás vezes a gente dá um passo pra frente e dois pra trás, a vida é assim. Precisamos dar sinais e mostrar as pessoas que gostamos delas". Sábios conselhos, estão sendo bem úteis depois da reflexão que fiz nessa viagem.

Passei pouco tempo em Porto, mas o Hélio ficou por lá e faz relatos sobre os novos roteiros e as pessoas que conheceu. Eu voltei pro Recife para encontrar uns amigos e logo em seguida, pra minha terrinha. Foi a primeira vez que tive vontade de chegar logo em Maceió, como se tivesse deixado mais coisas do que imaginava por aqui. Agora, percebo que além da família e dos amigos ficou alguém muito legal, que eu queria que estivesse lá comigo e essa constatação me dá medo.

Talvez ele leia isso, talvez não, se é que sabe que estou falando dele, mas quando estamos juntos não tenho vontade de ir embora, apesar de ser tão recente. Tudo é tão estranho e novo e especial e assustador! Não sei bem o que estou fazendo, nem o que falar e muito menos o que pensar, porque diante dessas situações não faço nada certo. Fico fria e não demonstro os sentimentos, o que sempre me faz perder as melhores pessoas. Estou tentando fazer diferente, espero não confundir as coisas e olhe que eu ainda não sei o que me espera, mas sei bem o que quero nas próximas férias...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

E hoje em dia, como é que se diz: Eu te amo?

Como se começa uma relação?Simplesmente as duas pessoas se veem com freqüência e a vontade de ficar junto vai aumentando?Faz tempo que não vivo nada tão desafiador e complexo quanto esse estado de espírito, que leva todo ser humano a fazer coisas inexplicáveis e bobas, mas que são lindas aos olhos da pessoa a quem se dedica as atitudes, os sorrisos, enfim, o amor.

Sei que em todo começo há medo, tanto de sofrer quanto de não dar certo ou pior, de perder tempo, só que na verdade nenhum esforço na tentativa de ser feliz pode ser considerado nulo. Por mais que se ande, que se dance, que se paquere, no final das contas todos querem a mesma coisa. Para mim, até aqueles que se dizem solteiros convictos buscam alguém em quem pensar, confiar, com quem dividir os problemas e as alegrias.

Renato Russo define tão bem o pessimismo diante do amor, mas ele revela um desejo velado de ser amado de verdade. Passei minha adolescência ouvindo as músicas dele junto com um dos meninos que mais amei na vida. Confesso que por um tempo escondi meus CDs, com receio de abrir as feridas, só que estou curada. Frases de músicas da Legião Urbana explicam tudo. “E hoje em dia, como é que se diz: Eu te amo”? "Enquanto a vida vai e vem você procura achar alguém que um dia possa lhe dizer - Quero ficar só com você".



As mulheres ficaram independentes demais para o gosto de alguns homens. Elas não toleram traições nem infâmias, cometidas por alguns machões. As relações familiares e humanas mudaram, as mulheres estudam mais, vão a barzinhos e escolhem com quem querem ficar, são livres o suficiente para decidirem suas próprias vidas. Enquanto isso, os homens também estão nos bares e nas baladas, pegando geral, felizes pela escassez masculina e mais ainda com a variedade feminina.

Mas, talvez esse não seja o real motivo para muitos não quererem casar e até mesmo namorar. As pessoas, principalmente os homens, estão mais desconfiadas, têm medo de serem traídas. Já não é igual a quando eu tinha 13 anos e arrumei meu primeiro namorado extra-oficial. Naquela época – até parece que faz décadas – a gente começava a ficar com um menino e tinha certeza que ia namorar com ele, mesmo sem o pedido oficial, que já tinha ficado demodé há muito.

Agora, até pela vontade das mulheres os encontros são casuais e acontecem quando um dos dois está carente, não levando em consideração a simbologia das pessoas vistas como objetos usáveis e descartáveis, sem culpas ou cobranças. Eu mesma já fui adepta dessa fase de curtição, de beijinhos em baladas e encontros em momentos de solidão. Mas, o dilema mesmo é quando se chega em casa e ninguém liga pra saber se você está bem. Geralmente você mal lembra o nome da pessoa com quem ficou e pior, pra ela você não passou de uma noite mal dormida. É isso que tem feito eu começar a reavaliar o meu mundo.


Acho que a relutância de me envolver com alguém sempre esteve relacionada ao afastamento dos amigos, o que se dá de forma tão inesperada e já aconteceu antes. Posso ter ficado com um trauma, provocado por um ex-namorado super ciumento e controlador, mas já passou da hora de deixar isso pra trás. Eu quero alguém compreensivo o suficiente para respeitar meu espaço, minhas viagens ao mundo da lua e a terra do nunca, que podem ficar mais divertidas a dois. Para mim, a vida de solteira tem um prazo de validade e está com os dias contados.


Vivemos sempre nessa busca contínua pelo amor. Acho que ninguém nasceu pra ser sozinho porque as pessoas mais amargas são aquelas que nunca receberam um cafuné ou apelidos engraçados e carinhosos, criados por quem está apaixonado. Essas não formaram uma família, não riram ou choraram junto, não fizeram poses ou compuseram cenários pra tirar fotos malucas a dois. Elas não passaram horas olhando o mar ou de papo pro ar, contemplando as estrelas. Sofreram por amor e fizeram disso uma regra, imutável e solitária.

Lembro da última vez que me apaixonei. Eu me senti tão linda, amada e incrivelmente feliz. É claro que estou escrevendo esse texto porque não deu certo, mas nunca vou me arrepender de tudo que fiz pra viver esse sentimento. É complicado, só que vale mesmo a pena tentar. Mas, como diria Drummond: "Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro(...)Paquera, gabiriu, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo, é muito difícil". E a Rita Lee: "Sexo é escolha, amor é sorte"!