Sei que em todo começo há medo, tanto de sofrer quanto de não dar certo ou pior, de perder tempo, só que na verdade nenhum esforço na tentativa de ser feliz pode ser considerado nulo. Por mais que se ande, que se dance, que se paquere, no final das contas todos querem a mesma coisa. Para mim, até aqueles que se dizem solteiros convictos buscam alguém em quem pensar, confiar, com quem dividir os problemas e as alegrias.
Renato Russo define tão bem o pessimismo diante do amor, mas ele revela um desejo velado de ser amado de verdade. Passei minha adolescência ouvindo as músicas dele junto com um dos meninos que mais amei na vida. Confesso que por um tempo escondi meus CDs, com receio de abrir as feridas, só que estou curada. Frases de músicas da Legião Urbana explicam tudo. “E hoje em dia, como é que se diz: Eu te amo”? "Enquanto a vida vai e vem você procura achar alguém que um dia possa lhe dizer - Quero ficar só com você".
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As mulheres ficaram independentes demais para o gosto de alguns homens. Elas não toleram traições nem infâmias, cometidas por alguns machões. As relações familiares e humanas mudaram, as mulheres estudam mais, vão a barzinhos e escolhem com quem querem ficar, são livres o suficiente para decidirem suas próprias vidas. Enquanto isso, os homens também estão nos bares e nas baladas, pegando geral, felizes pela escassez masculina e mais ainda com a variedade feminina.
Mas, talvez esse não seja o real motivo para muitos não quererem casar e até mesmo namorar. As pessoas, principalmente os homens, estão mais desconfiadas, têm medo de serem traídas. Já não é igual a quando eu tinha 13 anos e arrumei meu primeiro namorado extra-oficial. Naquela época – até parece que faz décadas – a gente começava a ficar com um menino e tinha certeza que ia namorar com ele, mesmo sem o pedido oficial, que já tinha ficado demodé há muito.
Agora, até pela vontade das mulheres os encontros são casuais e acontecem quando um dos dois está carente, não levando em consideração a simbologia das pessoas vistas como objetos usáveis e descartáveis, sem culpas ou cobranças. Eu mesma já fui adepta dessa fase de curtição, de beijinhos em baladas e encontros em momentos de solidão. Mas, o dilema mesmo é quando se chega em casa e ninguém liga pra saber se você está bem. Geralmente você mal lembra o nome da pessoa com quem ficou e pior, pra ela você não passou de uma noite mal dormida. É isso que tem feito eu começar a reavaliar o meu mundo.
Acho que a relutância de me envolver com alguém sempre esteve relacionada ao afastamento dos amigos, o que se dá de forma tão inesperada e já aconteceu antes. Posso ter ficado com um trauma, provocado por um ex-namorado super ciumento e controlador, mas já passou da hora de deixar isso pra trás. Eu quero alguém compreensivo o suficiente para respeitar meu espaço, minhas viagens ao mundo da lua e a terra do nunca, que podem ficar mais divertidas a dois. Para mim, a vida de solteira tem um prazo de validade e está com os dias contados.
Vivemos sempre nessa busca contínua pelo amor. Acho que ninguém nasceu pra ser sozinho porque as pessoas mais amargas são aquelas que nunca receberam um cafuné ou apelidos engraçados e carinhosos, criados por quem está apaixonado. Essas não formaram uma família, não riram ou choraram junto, não fizeram poses ou compuseram cenários pra tirar fotos malucas a dois. Elas não passaram horas olhando o mar ou de papo pro ar, contemplando as estrelas. Sofreram por amor e fizeram disso uma regra, imutável e solitária.
Lembro da última vez que me apaixonei. Eu me senti tão linda, amada e incrivelmente feliz. É claro que estou escrevendo esse texto porque não deu certo, mas nunca vou me arrepender de tudo que fiz pra viver esse sentimento. É complicado, só que vale mesmo a pena tentar. Mas, como diria Drummond: "Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro(...)Paquera, gabiriu, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo, é muito difícil". E a Rita Lee: "Sexo é escolha, amor é sorte"!

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