terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Amor incondicional


Um dia desses eu disse a um amigo que amo alguém. Amei, amava e amo, acho que essas foram as palavras que usei, apesar do amor ser um sentimento que não se mede ou explica e que há alguns anos eu não sentia de forma tão intensa e incondicional. É fato que o cheiro e o gosto dele estão em mim.

Meu amigo perguntou porque eu não estava com essa pessoa. Então, comecei a pensar que nem tudo na vida é do jeito que a gente quer e que não podemos obrigar as pessoas a estarem conosco. Certas coisas são respostas da vida aos nossos anseios, porque passamos por tantas emoções, desilusões e momentos de solidão, mas sempre que se ama alguém é como se tudo fosse novo e esquecemos tudo que trouxe sofrimento anterior.

Agora eu sei que não dá para medir o amor pelo tempo que as coisas duram, porque elas podem acabar, mas o sentimento fica. Ás vezes a pessoa ama, a outra ama também, mas pelas adversidades,ambas não ficam juntas. Em outras situações, apenas
um ama e o outro não está nem aí, mas nem por isso a dor no coração se aplaca.

Quando a gente lembra do sorriso, da voz, do toque e principalmente de que o ser amado não está conosco a sensação é indescritível e arrasadora. Sem querer, estamos nessa busca incessante pelo amor, que ora é doce e ora tem sabor de saudade doída.

O fato é que as pessoas só podem ficar ao nosso lado por vontade própria, embora no amor haja um certo egoísmo. Dizem que quando casar sara, sinceramente não acredito!A gente não esquece, só aprende a viver sem e em alguns momentos da vida, a esperança até pode se reacender. Agora, só acredito em coisas impossíveis e nada mais que acontecer nesta minha existência virá com ares de surpresa.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Antes do fim



Vai!Pode ir, mas lembre das risadas e das conversas.
Vai!Deixe a saudade ficar, ela não quer ir embora com você.
Vai!Já que não posso sentir teu perfume e tocar tuas mãos.
Vai!-Se não sou mais aquela que te completa e te faz feliz.
Fica!Só se existe esperança de voltarmos a ter os olhos brilhantes de outrora.
Vem! Não posso te deixar partir de dentro de mim.
A distância não é desculpa pra você sair.
O amor é a condição pra você ficar.
Mas, antes de ir, feche a porta e olhe pra trás.
Estarei aqui, te esperando.
Só não sei até quando, embora o coração sangrando, repita baixinho:
Sempre haverá tempo para recomeçar...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tipos de distância



A distância das almas é pior que a dos corpos. Consome a gente, faz brotar uma dor, traz à tona a palavra “mal dita”, impede o amor. Existem distâncias maiores que a ausência física, são aquelas que ninguém percebe e que são visíveis apenas no isolamento do eu, que já não é mais capaz de sentir.

A voz soa como um canto mudo e onde existiam sorrisos se vê apenas o abrir das bocas. O toque das mãos irrita e machuca, a distância está ali, mas ninguém consegue entender como é possível se afastar de quem um dia reconhecemos como abrigo. Esse tipo de distanciamento se tornou comum, invadiu os lares, separou o que restou.

Porém, há aquela distância otimista, até capaz de fazer a pessoa se sentir perto, porque cada minuto junto é transformado em algo único e inesquecível. Essa pode acontecer por incongruências do destino, que costuma promover encontros entre amantes que estão longe dos olhos, mas realmente unidos no coração.

Tem a distância nostálgica, que nos separa de amigos queridos, que precisaram estudar ou trabalhar em um lugar desconhecido, mas que povoam as nossas histórias, com as velhas brincadeiras de criança, pegando na mão e correndo pro abraço depois de um dia de diversão. Essa nunca nos deixa sentir vazios, lembra que trilhamos um caminho.

Atualmente, as emoções são mais fáceis de serem expressadas através de telas de computadores e celulares, estão parcialmente aprisionadas num mundo tecnológico. Eis invenções úteis para superar a saudade, bater aquele papo e mandar beijos estalados. Por isso, não há quem duvide que essas são novas formas de romper distâncias geográficas e sentimentais.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tempo,tempo,tempo...estava dando um tempo!

Eis-me aqui, depois de dias e meses...
Sem inspiração e tempo anteriormente, confesso.
Continuo com pouco tempo, mas repleta de inquietações. Agora voltei com força total!

domingo, 12 de julho de 2009

Amante da liberdade




Débora está sentada no sofá, folheando o livro que outrora comprou, por não querer assistir o filme chato que o reproduz.

Ela sonha viver um grande amor, que não se limite ao cinema e a literatura. Cansou de ser sozinha, embora uma solidão existencial a persiga.

A garota, com seus 20 anos e poucos anos recém-completados, imagina alguém que ame a liberdade, que a compreenda e que deseje, assim como ela, viver grandes emoções.

Breno tem 30 anos, vividos intensamente de cidade em cidade, contemplando o mar. Essa é uma das coisas que ele mais gosta de fazer. Viu baleias e golfinhos, explorou o fundo do oceano.

Sentiu grandes emoções, ficou muito doente, teve tantas mulheres e nenhuma que o fizesse deixar o mar, as algas e os corais. Os peixes o faziam imaginar uma dança submersa, pela qual ele se sentia envolvido.

Um dia, Débora sonhara com ele. Não viu seu rosto, mas soube que quando o encontrasse iria reconhecer áquela liberdade que tanto procurava.

Eles se viram em uma festa, trocaram telefone e depois conversaram algumas vezes. Aquele homem a inquietava, o mistério em seu olhar despertava sentidos, a mente fervilhava, os pensamentos eram intensos.

O homem desconcertante desapareceu e ela parou de sonhar. Um dia folheando um livro, teve vontade de ver o mar.

Seguiu até a praia, sentou na areia branquinha e molhada. Os raios de sol iluminavam seu rosto, aqueciam seu coração.

Ele estava lá, aquele princípe(des)encantado ás vezes parecia ler seus pensamentos. Bruno e Débora se encontraram novamente, o segredo continuava guardado, a garota não sabia o que dizer.

Sua vontade era fazê-lo perceber que o sorriso sádico e o olhar disperso a encantavam. Ele era diferente de todos os outros que conhecera e tão igual a ela.

Mas, Bruno ia mudar de cidade, dar outro rumo a sua vida. Precisava ver tantos lugares, nadar em outros mares e sentir novas areias. A liberdade que Débora amava nele era a mesma que o fazia querer ir embora para sempre.

domingo, 24 de maio de 2009

Aquele bigode





Preto, grosso e chamativo. Assim era aquele bigode que vi no ponto de ônibus. Os pêlos amontoados se confundiam com a boca pequena e sem importância e confesso, ganharam até um charme excêntrico naquele buço suave e ao mesmo tempo masculino.

O bigode já não está em alta, têm mulheres que detestam e outras que só o acham bonito quando vem acompanhado por uma barbicha, formando um cavanhaque. Só que aquele não era convencional.

O dito cujo já deveria ter causado incômodo e até vergonha, ou não. O que sei é que fazia parte do look robusto e peculiar da pessoa, que tinha uma voz fina e um rosto envelhecido. Na verdade, o bigode se assemelhava ás asas de um corvo ou a uma taturana, sendo consumida ou tentando fugir de um acesso de fome.

Pois bem, existe cera quente e barbeador, para quem gosta, é claro! Não acho interessante seguir a natureza humana, deixando crescer desordenadamente os pêlos da face e de outros lugares. Mas, Frida Kahlo lançou a moda e como costumam dizer: “Com mulher de bigode nem o diabo pode”.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Cristo mora em Brasília?


Nada mais irônico do que Jesus Cristo, o filho de Deus, morar justamente em Brasília, terra da profanação política e ideológica do nosso país. Pior que isso, é ele intitular a grandiosa capital brasileira de Jerusalém.

Quem nunca ouviu falar em Inri Cristo, aquele que revelou o que segundo ele é a maior verdade do mundo: O Messias já voltou! Vestido em um manto de veludo vermelho, com uma coroa na cabeça, a barba por fazer e os cabelos ligeiramente compridos, a figura caminha de pés descalços e de posse de um tipo de pedestal vermelho, em cima do qual evoca o nome do pai.

Com um sotaque americanizado, ele foi entrevistado por Jó Soares, que em nenhum momento perdeu a oportunidde de fazer piada da situação. Inri tem seguidores, assim como Hitler, Bin Laden e até Bush. Seus discípulos, a maioria mulheres, vestem roupas azuis e realizam as vontades dele.

Inri aproveitou para mostrar que, ao contrário de alguns mil anos, está conectado a internet. O "Salvador" não perdia a oportunidade de divulgar seu site e produtos como DVDs e fotos, frutos de suas peregrinações.

Como a páscoa foi na semana passada, o apresentador perguntou se Inri estava cansado após a ressurreição e ainda, sobre as encenações da Paixão de Cristo Brasil afora, o que fez a platéia cair na gargalhada.

Há 40 anos ele ganha a vida disseminando idéias cristãs, inclusive a de que é a reencarnação de Jesus. Graças a isso, visita vários países e já foi até expulso da Inglaterra. Ele diz que assim como aconteceu com Cristo no deserto, também tem que passar por provações. Inri responde as perguntas com uma certa arrogância, embora eu pensasse que Jesus falasse através de parábolas. Será que ele vai morrer por nós novamente?

Acreditar em suas afirmações é aterrador, pois sua identidade parece ser a loucura. Seria fácil se vestir de Cristo, de papai Noel ou até de coelhinho da páscoa e sair por aí ganhando dinheiro e servindo de piada. "Falsos profetas surgirão até a vinda de Cristo para a terra", é isso que eu ouço.

É penoso ver aquele homem alto e delgado abrindo a boca para se dizer filho de Deus, afinal, todos somos. Mas, Inri afirma ser o primogenito, só que Jesus também era tido como lunático na época em que viveu sobre a terra. O que pensar de Inri Cristo então?


Chamá-lo de maluco pode até ser bobeira, porque sua notoriedade mostra que existe gente mais perturbada que ele. Em seu aniversário humano, digamos assim, o profeta recebeu doações sabe-se lá de quem e afirmou ter projetos que precisam de verbas para serem realizados.

A mais nova onda do seu "show" são as inriquetes, que fazem paródias de canções de cantoras famosas como Ami wine house e Brihtey Spears, exaltando o falso Cristo. É hilário, porque elas fazem caras e bocas e até coreografias inspiradas nos clipes das músicas.

Inri é alguém que encontrou, na ingenuidade e devoção de homens e mulheres, terreno fértil para suas idéias profanas, assim como fazem os políticos. Sei não, cada doido com a sua mania....

sexta-feira, 20 de março de 2009

O lugar onde ninguèm quer trabalhar



Là sobram vagas e os poucos funcionários que restaram vivem taciturnos, receosos e sonham com a possibilidade de trabalhar em outro lugar. Destes, a bibliotecária - que passou em um concurso pùblico e aguarda a convocação - e a coordenadora do setor de recursos humanos são as mais tranqüilas e amáveis.

O prédio è imponente - funciona em um bairro histórico de Massayoca - e è sede de uma faculdade, com identidade tradicional e um pùblico alvo seleto. Diretores de grandes hospitais, proprietários de importantes empresas e profissionais renomados complementam seu nível superior là.

As instalações são confortáveis e as aulas ministradas por professores de outros Estados, às vezes por videoconferência. È a fachada que mantèm o lugar vivo, já que dentro dele os funcionários apenas sobrevivem, encurralados em suas próprias dìvidas e necessidades, que são responsáveis por mantê-los ali, submersos em palavras grosseiras e na falta de educação, o que chega a ser irônico e contraditório.

Os departamentos são independes, ninguém pode conversar ou pedir informações e existe uma câmara em uma sala obscura, que segue psicoticamente, observando a direção que toma e o que està por fazer, quem sai do seu setor atè o corredor sombrio do prédio.

Para aprisionar as pessoas que se prontificam a ficar, a carteira de trabalho è imediatamente assinada e ao contràrio de outras empresas, não aguardam os 3 meses de experiência. Embora o salário seja baixo e o clima pesado, hà quem use terno e gravata para se sentir menos inferior aos alunos e aos patrões.

Para quem não conhece o histórico da instituição, seria a grande chance de entrar no mercado de trabalho, atuando em um lugar renomado. Mas, passada a fase de apresentação, começa uma relação de submissão hierárquica, que envolve e amedronta, fazendo qualquer um se arrepender de estar là.

Tão grande quanto a fama da faculdade è a notoriedade da sua diretora acadêmica. Alta, loura e com olhos negros e vagos e um sotaque do sul, a elegante e fascinante mulher è bacharel em Letras, embora faça questão de se mostrar pouco letrada em seus hábitos.

Franciela Minoti è quarentona – parece mais jovem - e mora sozinha em um bairro nobre da cidade. Eloqüente e obtusa, já acumula inúmeros processos trabalhistas, inclusive por racismo. Ela costuma atirar perguntas como pedras, quando alguém contraria suas ordens e foi capaz de fazer uma pessoa se demitir em apenas 3 horas de convivência.

Seu modelo de gestão è anacrônico, baseado em regras e legislações, típico de empresas que tiveram como futuro a falência. A mulher desconhece os precentos da boa convivência e é uma perseguidora. Como as pessoas não podem conversar ente si, para pedir informações è preciso fazer ligações interbunas para o Rio de Janeiro.


Franciela gosta de demonstrar sua superioridade falando alto com seus subalternos e deixando a porta da sua sala aberta, quando està passando sermão. Seu novo passatempo è humilhar a chefe do setor pedagógico, que trabalhava hà cinco anos em uma empresa que foi comprada pela faculdade. Ela teve uma crise de pressão alta depois de um episòdio de assédio moral protagonizado pela diretora.

Embora seja publicitária, Ariele conhece como ninguém as demandas dos alunos, que sempre a procuram para resolver os problemas acadêmicos, o que nutre a inveja e desperta a fúria de Franciela, que já prometeu demiti-la se ela falar com algum deles, mesmo que seja exercendo as atribuições de seu cargo.

O objetivo da diretora è que Ariele peça demissão, perdendo todos os direitos trabalhistas, já que mandou bloquear o ramal do telefone e o e-mail da moça. Na frente de outras pessoas Franciela è um anjo de candura, prestativa e compreensiva. Sò que de repente, ela perde o controle e começar a gritar, pedindo aos ‘empregados’coisas que devem ser feitas em um minuto, ligando para os ramais para pressioná-los, sò que depois de dois minutos ela não lembra nem precisa mais do que pediu.

Supõem-se que seu descontrole seja devido a falta de um namorado ou conseqüência de sua criação burguesa, o que a faz passar por cima de tudo e todos para conseguir o que deseja. Uma de suas frases preferidas è: Quem tu pensas que è pra fazer isso? Será que alguém teria paciência para se submeter aos seus caprichos e perturbações todos os dias?

Atualmente, na faculdade existem vagas para webdesigner, gerente e assistente contábil, auxiliar pedagógica e analista de sistemas. Em breve, haverá também para bibliotecária, pedagoga e no setor comercial. Os que saem indicam amigos, parentes e inimigos que em seguida fazem o mesmo, por não agüentarem ficar muito tempo là. Quem se habilita?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Aquela macarronada...


Hoje, enquanto almoçava, me lembrei daquela macarronada que você fazia, quando eu ia na sua casa. Devo ter provado dela poucas vezes, mas agora sinto falta como se fosse algo comum em minha vida.

A gente comprava o molho de tomate e você colocava aquele ingrediente especial: O creme de leite. O molho ficava rosado e sem dúvida mais gostoso. Depois de comer, iamos buscar chiclete no depósito de bebidas do seu pai e você pedia pra eu mascar, rindo, dizendo que era para limpar os dentes.

Naquela época eu só bebia refrigerante, senão, seu pai iria ter prejuízo. Nós duas falávamos tantas besteiras, riamos muito e lembro de quando eu pedi pra você passar um trote pra o meu ex-namorado. Pior é que você se confundiu e não o convenceu.

No dia que você me ligou dizendo que estava grávida fiquei muito feliz e no chaá de bebê sua barriga estava linda e sua pele branquinha ficou toda pintada de batom e tinta.

Foi a última vez que nos falamos pessoalmente e você sempre insistia, ligando, pedindo pra gente conversar. Que boba eu fui, só pensava em estudar e trabalhar e tinha certeza que quando eu precisasse você estaria ali.

Já faz quase quatro anos que a gente nao se vê. Você foi embora sem avisar e eu nem me despedi. Ainda me pergunto se em algum momento você sentiu raiva de mim e se sabia o quanto era importante na minha vida.

Nunca vou esquecer do dia em que ficamos amigas, já que antes nos odiávamos. Aquela professora chata pediu pra gente sair da sala, só porque conversamos demais. Eu lembro de quando você fazia umas imitações malucas e quando a gente ficava de papo pro ar, na minha casa.

E difícil imaginar que você não está aqui e que eu não posso mais ir na sua casa, quer dizer, até posso, mas sem você não tem graça. Prefiro acreditar que você vive por aqui, olhando para mim, me estendendo a mão e enxugando minhas lágrimas.

Continuo trabalhando e também estudando. Procuro fazer as coisas que gosto e ficar mais perto daqueles que amo. Tento não me chatear tão fácil e aproveitar cada segundo desta vida e eu realmente sinto sua presença.

Entre outras coisas, sinto saudades daquela nossa macarronada, que a gente fazia sem imaginar o que viria pela frente. Aquele tempo não vai voltar, mas te garanto que guardei tudo comigo e que aprendi a viver como se não houvesse amanhã.

In Memoriam Fabiana Meneses