sexta-feira, 28 de maio de 2010

Renascimento



Agora já não doi mais. Eu não sinto a respiração ficar difícil, nem acordo chorando no meio da noite porque tive um sonho estranho. Lembro pouco da sua voz e dos olhos sombrios, pousados nos meus. Mas, ainda vejo com clareza o sorriso estonteante e por vezes inquieto.
Achei que meu coração fosse parar de bater no momento em que dissemos adeus, em um consenso falso, necessário para não olharmos pra trás. Pensar na sua presença cheia de vida e calor, por vezes me deixou desesperada, ao constatar que eu não teria mais o brilho nos olhos.
As palavras, doces enganos, ditas em momentos íntimos, tão ínfimos, fugazes. Elas não me dilaceram mais, só me fazem querer repeti-las um dia, com mais sobriedade. Agora vejo a mentira daquele amor, passado o encanto até posso sentir o abismo e o interminável clamor.
Eu deixaria tudo por um pouco daquele torpor. Arriscaria minha vida, independente de todas as feridas que meu coração vazio pudesse ter. Mas, a tua partida me conduziu por novos caminhos, encontrei mais flores do que espinhos e sei para onde vou.
Tanto tempo sem escrever, sem externar a minha alma me surpreendeu. Mas, isso foi necessário para nutrir novas idéias, perceber os demais aromas, rostos, emoções. Como uma fênix, ressurgida das cinzas aqui estou. Insolúvel e inatingível, embora ainda prolixa.
Estou livre de novo. Despida da dor, do torpor, mais calma e cautelosa. As borboletas não fazem mal ao se movimentarem no meu estômago e os pensamentos solitários se dispersaram. Renasci, me recompus mais uma vez. Estou nova, pronta para amar de novo.