domingo, 12 de julho de 2009

Amante da liberdade




Débora está sentada no sofá, folheando o livro que outrora comprou, por não querer assistir o filme chato que o reproduz.

Ela sonha viver um grande amor, que não se limite ao cinema e a literatura. Cansou de ser sozinha, embora uma solidão existencial a persiga.

A garota, com seus 20 anos e poucos anos recém-completados, imagina alguém que ame a liberdade, que a compreenda e que deseje, assim como ela, viver grandes emoções.

Breno tem 30 anos, vividos intensamente de cidade em cidade, contemplando o mar. Essa é uma das coisas que ele mais gosta de fazer. Viu baleias e golfinhos, explorou o fundo do oceano.

Sentiu grandes emoções, ficou muito doente, teve tantas mulheres e nenhuma que o fizesse deixar o mar, as algas e os corais. Os peixes o faziam imaginar uma dança submersa, pela qual ele se sentia envolvido.

Um dia, Débora sonhara com ele. Não viu seu rosto, mas soube que quando o encontrasse iria reconhecer áquela liberdade que tanto procurava.

Eles se viram em uma festa, trocaram telefone e depois conversaram algumas vezes. Aquele homem a inquietava, o mistério em seu olhar despertava sentidos, a mente fervilhava, os pensamentos eram intensos.

O homem desconcertante desapareceu e ela parou de sonhar. Um dia folheando um livro, teve vontade de ver o mar.

Seguiu até a praia, sentou na areia branquinha e molhada. Os raios de sol iluminavam seu rosto, aqueciam seu coração.

Ele estava lá, aquele princípe(des)encantado ás vezes parecia ler seus pensamentos. Bruno e Débora se encontraram novamente, o segredo continuava guardado, a garota não sabia o que dizer.

Sua vontade era fazê-lo perceber que o sorriso sádico e o olhar disperso a encantavam. Ele era diferente de todos os outros que conhecera e tão igual a ela.

Mas, Bruno ia mudar de cidade, dar outro rumo a sua vida. Precisava ver tantos lugares, nadar em outros mares e sentir novas areias. A liberdade que Débora amava nele era a mesma que o fazia querer ir embora para sempre.