terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tipos de distância



A distância das almas é pior que a dos corpos. Consome a gente, faz brotar uma dor, traz à tona a palavra “mal dita”, impede o amor. Existem distâncias maiores que a ausência física, são aquelas que ninguém percebe e que são visíveis apenas no isolamento do eu, que já não é mais capaz de sentir.

A voz soa como um canto mudo e onde existiam sorrisos se vê apenas o abrir das bocas. O toque das mãos irrita e machuca, a distância está ali, mas ninguém consegue entender como é possível se afastar de quem um dia reconhecemos como abrigo. Esse tipo de distanciamento se tornou comum, invadiu os lares, separou o que restou.

Porém, há aquela distância otimista, até capaz de fazer a pessoa se sentir perto, porque cada minuto junto é transformado em algo único e inesquecível. Essa pode acontecer por incongruências do destino, que costuma promover encontros entre amantes que estão longe dos olhos, mas realmente unidos no coração.

Tem a distância nostálgica, que nos separa de amigos queridos, que precisaram estudar ou trabalhar em um lugar desconhecido, mas que povoam as nossas histórias, com as velhas brincadeiras de criança, pegando na mão e correndo pro abraço depois de um dia de diversão. Essa nunca nos deixa sentir vazios, lembra que trilhamos um caminho.

Atualmente, as emoções são mais fáceis de serem expressadas através de telas de computadores e celulares, estão parcialmente aprisionadas num mundo tecnológico. Eis invenções úteis para superar a saudade, bater aquele papo e mandar beijos estalados. Por isso, não há quem duvide que essas são novas formas de romper distâncias geográficas e sentimentais.

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