
Hoje, enquanto almoçava, me lembrei daquela macarronada que você fazia, quando eu ia na sua casa. Devo ter provado dela poucas vezes, mas agora sinto falta como se fosse algo comum em minha vida.
A gente comprava o molho de tomate e você colocava aquele ingrediente especial: O creme de leite. O molho ficava rosado e sem dúvida mais gostoso. Depois de comer, iamos buscar chiclete no depósito de bebidas do seu pai e você pedia pra eu mascar, rindo, dizendo que era para limpar os dentes.
Naquela época eu só bebia refrigerante, senão, seu pai iria ter prejuízo. Nós duas falávamos tantas besteiras, riamos muito e lembro de quando eu pedi pra você passar um trote pra o meu ex-namorado. Pior é que você se confundiu e não o convenceu.
No dia que você me ligou dizendo que estava grávida fiquei muito feliz e no chaá de bebê sua barriga estava linda e sua pele branquinha ficou toda pintada de batom e tinta.
Foi a última vez que nos falamos pessoalmente e você sempre insistia, ligando, pedindo pra gente conversar. Que boba eu fui, só pensava em estudar e trabalhar e tinha certeza que quando eu precisasse você estaria ali.
Já faz quase quatro anos que a gente nao se vê. Você foi embora sem avisar e eu nem me despedi. Ainda me pergunto se em algum momento você sentiu raiva de mim e se sabia o quanto era importante na minha vida.
Nunca vou esquecer do dia em que ficamos amigas, já que antes nos odiávamos. Aquela professora chata pediu pra gente sair da sala, só porque conversamos demais. Eu lembro de quando você fazia umas imitações malucas e quando a gente ficava de papo pro ar, na minha casa.
E difícil imaginar que você não está aqui e que eu não posso mais ir na sua casa, quer dizer, até posso, mas sem você não tem graça. Prefiro acreditar que você vive por aqui, olhando para mim, me estendendo a mão e enxugando minhas lágrimas.
Continuo trabalhando e também estudando. Procuro fazer as coisas que gosto e ficar mais perto daqueles que amo. Tento não me chatear tão fácil e aproveitar cada segundo desta vida e eu realmente sinto sua presença.
Entre outras coisas, sinto saudades daquela nossa macarronada, que a gente fazia sem imaginar o que viria pela frente. Aquele tempo não vai voltar, mas te garanto que guardei tudo comigo e que aprendi a viver como se não houvesse amanhã.
In Memoriam Fabiana Meneses

Um comentário:
que delicia hem. e sou fanatica por macarrão.. adorei mesmo.....
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