
Achei que nunca fosse querer voltar da minha última viagem de férias. O roteiro, decidido no susto e várias vezes alterado foi acompanhando por um amigo chamado Hélio, que mora em Santos e vive aventurando por aí. Nos conhecemos no Recife e eu estava louca para ir a Porto de Galinhas. Foi quando ele me disse que ia e eu, arrastando uma mala super pesada, com o intuito de passar um mês longe de casa, decidi segui-lo.
Estava chovendo em Porto, logo lá, que tem uma das praias mais famosas do Brasil, mas foi só no primeiro dia. Achamos coisas baratas e apesar de julho ser um mês de férias o lugar estava quase deserto. Havia os moradores, alguns casais de turistas e gente passeando com a família. Ficamos no albergue do Alberto por R$ 15,00, lugar simples, mas muito acolhedor. Assim, comecei minha vida de mochileira, tentando conseguir os melhores preços e conhecer os lugares mais lindos de Ipojuca, que abriga a praia de Porto, o que confesso, é novidade pra mim.
Nós fizemos coisas de turistas também, como passeios ás piscinas naturais da praia dos Carneiros e Porto de Galinhas. O primeiro custou R$ 25,00 e o segundo R$ 10,00, tão baratos e valem muito a pena. Faltou fazer o ponta a ponta de Buggy, além de tantos outros destinos oferecidos, como Cabo de Santo Agostinho e a alagoana e linda Maragogi, mas já fui lá. Há lugares legais em Porto que cobram R$ 8,00 pelo almoço, mas se procurar, é possível encontrar self services sem balança até por R$ 6,50 no Centro e a comida é ótima. Se quiser gastar pouco não decida comer em restaurantes à beira-mar, o peixe e o camarão são caríssimos!
Painho, assustado com os filmes “Turistas” e “O albergue” me alertou sobre a existência de psicopatas em locais como Porto de Galinhas, mas afinal, onde eles não estão? Quando eu contei ao Hélio sobre isso até ele ficou com medo, embora já tenha viajado pelo mundo. De uns tempos pra cá comecei a querer sair do Brasil, de férias, é claro, apesar do receio em relação ao preconceito com as brasileiras, vistas como prostitutas. Há convites para conhecer a Itália, a França, o Canadá e a Argentina, mas o que falta mesmo é o dinheiro e com a taxa de câmbio então...
Hélio falava comigo como se fosse um pai, sempre preocupado, embora não tenha filhos. Ele tem 43 anos, enquanto eu, estou no auge dos meus 26. Era muito engraçado quando as pessoas pensavam que éramos um casal, o que rendeu situações muito esquisitas, entre elas, as perguntas toscas de um cara que confundiu o Hélio com um italiano casado com brasileira. Recebi tantos, mais tantos conselhos do meu novo amigo, que confiou em mim para contar alguns segredos, graças a minha facilidade, que eu não sei de onde vem, para entender e aceitar as pessoas como elas são.
Lembro de cada palavra dele ao ouvir os meus dramas amorosos e as pequenas complicações que eu insisto em transformar em grandes problemas. Ele pediu pra eu não ter medo de arriscar e seguir meu coração. Parece que estou ouvindo o Hélio dizer: "Ás vezes a gente dá um passo pra frente e dois pra trás, a vida é assim. Precisamos dar sinais e mostrar as pessoas que gostamos delas". Sábios conselhos, estão sendo bem úteis depois da reflexão que fiz nessa viagem.
Passei pouco tempo em Porto, mas o Hélio ficou por lá e faz relatos sobre os novos roteiros e as pessoas que conheceu. Eu voltei pro Recife para encontrar uns amigos e logo em seguida, pra minha terrinha. Foi a primeira vez que tive vontade de chegar logo em Maceió, como se tivesse deixado mais coisas do que imaginava por aqui. Agora, percebo que além da família e dos amigos ficou alguém muito legal, que eu queria que estivesse lá comigo e essa constatação me dá medo.
Talvez ele leia isso, talvez não, se é que sabe que estou falando dele, mas quando estamos juntos não tenho vontade de ir embora, apesar de ser tão recente. Tudo é tão estranho e novo e especial e assustador! Não sei bem o que estou fazendo, nem o que falar e muito menos o que pensar, porque diante dessas situações não faço nada certo. Fico fria e não demonstro os sentimentos, o que sempre me faz perder as melhores pessoas. Estou tentando fazer diferente, espero não confundir as coisas e olhe que eu ainda não sei o que me espera, mas sei bem o que quero nas próximas férias...

Um comentário:
Tomara que "ele" tenha lido, porque eu li e adorei. Você é um arraso, menina! Beijos e saudades... (Karlesson)
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