Arrumando as malas para viajar durante o final de semana percebi como tenho roupas que não uso. Elas estão amontoadas no guarda-roupas e muitas eu nem lembrava que existiam. São blusas que estão grandes ou pequenas demais, saias e calças que caem só de eu pensar em vesti-las e o mais curioso é que dá vontade de levar só o que é novo, apesar de nem todos conhecerem meu figurino.
Os homens podem carregar consigo uma mochila com poucas camisas, duas calças, um chinelo e um tênis, dependendo do lugar onde vão e do tempo que lá irão ficar. Já as mulheres presumem combinações mirabolantes, que abarrotam as malas e que muitas vezes voltam sem nem terem saído delas. É maquiagem, bijuteria, sandálias e demais acessórios, só para não falar em vaidade.
É difícil evitar exageros, pode haver alguma programação para a qual não teremos o traje ideal. Antes de viajar, costumo ter um sonho estranho, onde eu nunca levo as roupas certas para a ocasião e acabo não saindo. Logo, minha bagagem tem de biquínis a vestidos, afinal, nunca se sabe. Um livro, meus óculos de grau e meu celular, eis companheiros fiéis durante qualquer aventura.
Viajar é sempre revigorante, não que a gente esqueça os problemas, mas eles parecem mais distantes da estrada. Porém, o nosso lar faz falta, por mais lindo que seja o lugar que visitemos. Conhecer aquilo que vimos apenas na tv ou na Internet é bem emocionante e chocante, porque não tem só beleza, em tudo existe um lado triste; Uns trabalham para outros se divertirem.
Tem gente que vive de viajar, dando a volta ao mundo em um barco ou balão. Maluquice para uns e uma idéia maravilhosa para mim, só que as responsabilidades da vida moderna não permitem. É uma questão de escolhas, ou você trabalha ou vive conhecendo lugares, a não ser que planeje bem suas férias anuais. Sair por aí sem destino agrada e até rende dinheiro, com a publicação de livros que relatam as aventuras. Quem sabe eu faço isso.
Tem gente que nunca saiu do lugar onde nasceu, não conhece outra realidade, por culpa dessa má divisão econômica. Eu me classifico como aquela pessoa que tem vontade de conhecer o mundo, mas que nem ao menos sabe por onde e como começar. Andar com os cabelos ao vento, uma mochila nas costas e pegando carona, só os hippies fazem isso?
Já visitei lugares legais, mas não chega nem perto do que ainda tenho vontade de ver. Egito, Índia, Indonésia, México, França, China, Itália e Canadá são apenas alguns destinos, mas seria preciso um alto investimento, o que restringe as possibilidades dos brasileiros, por causa das taxas de cambio. É uma pena, mas não custa nada sonhar.
Enquanto nativos nem ao menos conhecem o lugar onde vivem, “forasteiros” olham tudo. Até um tempo atrás, nunca quis conhecer o exterior, mas agora as fronteiras brasileiras parecem pequenas demais para a minha curiosidade, só que preciso antes apreciar o meu Brasil.
A cultura de certos lugares me impressiona, porque eles abrigam pessoas, costumes e desejos tão diferentes. Uns são mais simples, outros mais luxuosos e no final das contas o importante é mesmo aprender a viver em harmonia contínua.
Na música Esquadros, da cantora Adriana Calcanhoto, andar pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone e vendo doer a fome nos meninos que têm fome, sentir falta dos amigos, do amor e da família, seria o preço cobrado aos viajantes incautos. Essa letra reflete meus medos e desejos.
A natureza intocada por trás dos coqueiras, dunas, praias, um amor, essa sim é a combinação perfeita em dias de viagem. Quando se conhece alguém durante essas andanças dá uma saudade, vontade de ficar, emoções demais para quem gosta de viajar. Mas, nada é melhor do que ter a certeza de que quando voltarmos, alguém estará esperando por nós.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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